Em 2015, eu publiquei uma postagem falando sobre a possibilidade de se adquirir equipamentos com a finalidade do técnico programador/operador ter sua independência do console dos espaços por onde passa.
Na época, eu havia comprado há poucos anos um dos primeiros modelos de interface Art-Net da Lumikit. A interface possuía uma única porta de saída. Não cheguei a utilizar muito, embora tenha me salvo em uma situação específica. Como software que utilizei em conjunto com a interface, usei o Luminair instalado em um ipad que possuía na época.
Daquela época para cá, muita coisa mudou. A empresa Lumikit cresceu e se tornou uma importante referência no mercado nacional. Diversas outras marcas estrangeiras de interfaces começaram a surgir. Hoje, é possível encontrar com relativa facilidade produtos especializados em plataformas de venda online. Diversos novos softwares surgiram no mercado. Alguns fechados e trabalhando somente com determinados equipamentos. Outros, abertos e prontos a trabalhar com qualquer interface. Alguns gratuitos, alguns pagos. Alguns desses podem ser conferidos em uma postagem anterior.
A própria cara do mercado mudou muito com a ascensão do sistema MA2. É possível encontrar no mercado versões "alternativas" muito baratas se comparadas com versões oficiais. De forma, geral, hoje é muito mais fácil um profissional possuir seu próprio sistema do que era anos atrás quando escrevi aquele primeiro artigo.
Embora vá na contramão do mercado, coloco aqui alguns itens que adquiri para montar meu pequeno sistema ETC Eos.
Notebook Dell G15
Embora possa soar óbvio, vale lembrar que todo esse sistema deve rodar em um computador. Por acaso, esse é o modelo do meu. Ele possui um bom hardware preparado para lidar com alta demanda de processamento, inclusive gráfico, tornando-o uma boa opção para quem deseja trabalhar com aplicações 3D (cada vez mais comuns hoje em dia e uma área em que começo a dar alguns passos). Vale destacar que, se não existe a necessidade de trabalhar com aplicações 3D, um modelo mais em conta pode ser também uma boa opção. Acredito que só não recomendaria os modelos de entrada porque ocasionalmente pode ser necessário abrir múltiplos aplicativos na mesma máquina e um dispositivo mais simples pode não dar conta de tanto processamento.
A maior desvantagem desse modelo específico é seu tamanho e peso. Ele é maior e mais pesado que a média dos notebooks, o que torna levá-lo de um lado a outro um tanto inconveniente
ETCnomad 1.024
Esse talvez seja o elemento principal de todo meu sistema. Sem esse elemento, não seria possível utilizar o software ETC Eos no meu notebook para operar um espetáculo. (lembrando que o software é gratuito e funciona plenamente, só não enviando sinal sem a presença do dongle).
A linha Nomad é vendida pela ETC em duas versões: dongle e Puck. Na primeira, há apenas o pequeno dispositivo semelhante a um pendrive que deve ser plugado à porta USB do computador. Na versão Puck, há uma pequena caixa que consiste em um mini PC com tudo o que usuário precisa, não sendo necessário um computador.
Além dos dois formatos, são vendidos também em versões com diferentes contagens de parâmetros: 1.024 e 6.144.
Esse equipamento deve ser adquirido via representante oficial da ETC no Brasil (Arte em Cena) ou importado.
Lumikit PRO X4i GM
A interface é outra parte essencial do sistema. É através dela que o sistema se integrará fisicamente ao sistema do espaço. Existem hoje algumas opções no mercado, a maioria trabalhando com o protocolo Art-Net. Esse protocolo é capaz de carregar informações DMX via estrutura de rede (cabos ethernet, switch, roteadores etc.). Esse modelo possui quatro portas de saída, mas existem opções mais baratas com apenas duas, assim como opções mais robustas com mais portas.
Monitor portátil touch Grasep D-Tela03
Com essa peça, começam os equipamentos não essenciais ao sistema. Uma segunda tela é um grande facilitador, permitindo que muito mais informação seja exibida simultaneamente e evitando trocas de janelas. Depois que se começa a utilizar duas telas, fica difícil se acostumar a ter somente uma. O fato do monitor ser touch cria uma facilidade adicional.
Atenção às conexões possíveis da tela e do computador a que se pretende ligá-la. No meu caso, ligo apenas um cabo USB-C / USB-C que transmite tudo de que preciso: energia, sinal de vídeo e sinal de touch. No entanto, isso só acontece porque tanto meu computador quanto o monitor e o cabo que utilizo para ligá-los são compatíveis. Há casos em que o cabo USB irá transmitir somente energia e as outras funções devem ser carregadas por cabos adicionais. Isso é algo que deve ser verificado nas configurações dos equipamentos.
Teclado Korg NanoKontrol 2
Esse é um pequeno teclado midi que permite a adição de faders ao sistema. É um equipamento muito comum aos técnicos de áudio, mas quando configurado corretamente, pode ser uma ferramenta importante também para técnicos de iluminação. Os faders são somente 8 e possuem um curso curto, mas ainda assim são de grande valia. No entanto, o sistema Eos não interpreta nativamente os comandos midi gerados pela controladora. Para isso, é necessário um programa externo que leia o
input da controladora e se conecte ao sistema Eos, repassando a informação. Já usei o
Luminosus no passado, mas atualmente, o software que utilizo para o mapeamento dos comandos é o
Shift-Faders.
Stream Deck+
Quando se tem muitos equipamentos multiparâmetros no espetáculo, especialmente aparelhos moving lights, pode ser bem chato ter que trabalhar com o ML Controls do sistema Eos na tela do computador. Associado ao aplicativo
Companion, o Stream Deck+ pode se tornar uma ferramenta versátil tanto para oferecer encoders ao sistema quanto oferecer mais uma interface de input por meio de botões que podem ser extensivamente configurados.
Mini teclado programável com teclas transparentes
Compacto e altamente versátil, esse teclado vem com teclas "genéricas" que podem ser programadas para gerar quaisquer combinações de teclas de um teclado convencional. Quem trabalha no computador com frequência sabe como é chato decorar os atalhos de comandos que, no console, teriam teclas específicas. Com um teclado desses, não é mais necessário decorar os atalhos programados. Para realizar esa programação, deve ser utilizado um programa específico oferecido pela fabricante do dispopsitivo.
No exterior, existem companhias que produzem teclados especializados para o sistema Eos (
cmd_key,
lxkey,
JOSC @/2). Infelizmente, ficam caros demais para serem importados. Essa foi minha solução financeiramente possível para tentar produzir algo que se aproxime um pouco desses dispositivos.
Existem alguns modelos de teclados programáveis direcionados ao mercado de caixas de lojas (inclusive com o dispositivo para passar cartão) que acredito que possm funcionar também, mas admito nunca ter testado. A vantagem seria uma maior quantidade de botões.
Além do teclado propriamente dito, comprei também teclas com acabamento transparente pra que pudesse imprimir e colocar as etiquetas de cada tecla de forma segura dentro da capa.
Alimento a esperança de que um dia, uma empresa brasileira como a Lumikit produza uma versão nacional de teclados genéricos em tamanhos maiores e com um preço mais razoável do que as versões importadas.
Cabo de rede retrátil
Para conexão do computador à interface e possivelmente a um roteador (para controle sem fio do sistema, muito útil em afinações), será necessário ao menos um cabo de rede. Normalmente, não precisa ser um cabo muito grande, acredito que 1m é o bastante. Minha sugestão é que esse cabo seja CAT 6 para uma melhor blindagem do sinal e tenha conectores RJ45 com bom acabamento para evitar que quebrem.
No intuito de deixar meu conjunto o mais compacto possível, tenho dois desses conectores retráteis. Ocupam pouco espaço e sõ mais fáceis de organizar que um cabo tradicional.
O único cuidado ao qual eu chamo atenção é o fato de serem cabos chatos (flat). Como parte do protocolo ethernet para proteção do sinal pressupõe o uso de pares trançados, esse cabo chato (que não possui espaço para o trançamento dos cabos), acaba ficando mais vulnerável a interferências. Tratando-se de uma distância pequena e com os devidos cuidados, acredito que isso não seja um problema. Contudo, não custa ficar atento a possíveis interferências de campos eletromagnéticos próximos.
Adaptador DMX
Em minha interface Lumikit, tenho 4 portas de saída DMX de 3 pinos fêmea. Ocasionalmente, chego em teatros onde o sistema DMX foi estruturado com cabeamento de 5 pinos (o que seria o correto no protocolo DMX original). A fim de evitar transtornos nesses locais ocasionais, possuo 4 adaptadores DMX 3 macho / 5 fêmea. (1 para cada porta caso haja necessidade)
Hub USB
Considerando a grande quantidade de periféricos sendo ligados ao computador, é possível que as portas USB fiquem todas ocupadas ou até faltem. Assim, pode ser uma boa ideia a aquisição de um hub USB para expansão das possibilidades de conexão. Sugiro a aquisição de um hub de relativa qualidade a fim de manter confiabilidade e boas taxas de transmissão de dados. Quais os conectores que devem estar presentes é algo que irá variar muito de acordo com as necessidades específicas de cada um.
Régua/extensão Coibeu 1,9m 5 tomadas + USB
Em algumas situações, chegamos ao espaço e temos certa dificuldade em encontrar tomadas disponíveis para ligar tudo que precisamos. Carregando sua própria extensão, é ncessário que o espaço te forneça apenas uma tomada. Alguns modelos possuem ainda a função extra de já ter conexões USB direta, não sendo necessário o uso de fontes para carregar dispositivos.
Luminária LED
Apesar de acessório completamente opcional, esse simples item já me salvou em diversas situações. Originalmente pensada para ser usada com o clipe em livros, essa pequena luminária é recarregável, possui ajuste de intensidade e temperatura de cor. O mesmo clipe que ajuda a prender no livro, pode ser usado para criar uma base e apoiar em algum canto da mesa e iluminar o teclado do console.
Roteador wireless Cisco Lynksys WRT120N
O computador pode ser ligado diretamente à interface sem a interferência de um roteador entre os equipamentos. No entanto, a inclusão do roteador permite que eu possa eventualmente controlar o sistema por um dispositivo móvel (celular ou tablet) usando o aplicativo apropriado. (no meu caso, que trabalho no ecossistema android, utilizo o
aRFR)
Considero esse modelo específico interessante porque o aparelho é relativamente fino, permitindo que ele caiba em minha maleta onde carrego o resto do material. Além disso, confio na qualidade dos equipamentos Cisco/Linksys.
Maleta de maquiagem grande com divisórias
Para levar tudo isso de um lado a outro, e até mesmo para guardar em casa, utilizo essa maleta cuja função original seria carregar equipamento de maquiagem. Acho que é um bom produto com acabamento resistente e acredito que meu material fica bem protegido. As divisórias são removíveis e podem ser ajustadas conforme a necessidade. Há também outros tamanhos a venda para atender diferentes necessidades.
Conclusão
Lembro que tudo isso que foi exposto são as soluções que fui desenvolvendo ao longo de anos. Não comprei todas essas peças de uma vez. São apenas referências que coloco aqui como possibilidades, muito em função da curiosidade do parceiro @nicocaratori. Mais do que uma lista de compras, essa postagem tem também a função de expôr algumas das considerações que levantei ao longo do processo de construção de meu sistema de forma a servir de reflexão para meus eventuais leitores.
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