Desde que comecei a trabalhar no meio teatral, tenho me deparado
frequentemente com um problema bastante prático e de ordem burocrática: o
pagamento. Sabemos que, muitas vezes, lidamos com instituições ou espetáculos
que receberam dinheiro por meio de leis de incentivo cultural e, por isso,
exigem a emissão de notas fiscais para que possam efetuar o pagamento. De certa
forma, a Cooperativa Paulista de Teatro se propõe a sanar esse problema,
representando judicialmente seus afiliados por meio de seu CNPJ e permitindo a
emissão de notas além de inscrição em editais.
O problema surge quando nos vemos obrigados a pagar as várias taxas e
descontos a que a CPT nos submete. Pagamos FADs anuais além dos descontos sobre
o valor bruto dos serviços que prestamos como taxas administrativas e diversos
impostos. Como se isso não bastasse, temos de lidar com a burocracia inerente a
uma instituição do porte da CPT, o que acaba atrasando o recebimento do
dinheiro por vezes.
Uma possível solução pra isso seria abrir uma empresa própria. Assim,
teríamos CNPJ, poder de emissão de notas e toda a administração estaria
centralizada em nossas mãos. Mas então nos deparamos com os custos relativos a
essa solução. Afinal, teremos taxas e contador a serem pagos. A menos que o
empresário tenha um grande fluxo de trabalhos de alto valor (definitivamente,
não é o meu caso), os gastos não compensam a abertura de uma empresa comum. O
que poucos sabem é da modalidade de empresário conhecido juridicamente como
Microempreendedor Individual.
Segundo o Portal do Empreendedor:
"Microempreendedor Individual (MEI) é a pessoa que trabalha por
conta própria e que se legaliza como pequeno empresário."
Na prática, isso significa que você abre uma empresa de um só
funcionário (é possível que haja um segundo funcionário, mas isso é outro
tópico mais avançado), capaz de emitir notas sem nenhum tipo de taxação sobre as
mesmas. Claro, há detalhes a serem observados:
- O rendimento bruto da empresa não pode ultrapassar R$60.000,00 anuais
- Embora não haja taxação percentual sobre o valor das notas emitidas, deve ser
paga uma taxa fixa mensal de R$38,90 (no caso de quem for prestador de
serviços) a ser reajustada de acordo com o salário mínimo
- O MEI foi criado para facilitar a formalização de profissionais de áreas
antes não reconhecidas e não abarca todas as profissões, privilegiando as menos
favorecidas
Desse valor de R$38,90, boa parte (em torno de R$33,00) é referente a
INSS, o que é bastante interessante pra nós, autônomos, que muitas vezes
esquecemos de criar um plano de previdência no início de nossas carreiras.
Mas, como disse, nem todas as profissões foram vislumbradas pelo
programa MEI uma vez que ele pretende atender a uma massa de trabalhadores que
tendem a atuar na informalidade (não que este não seja nosso caso, mas...) como
pipoqueiros, sapateiros, vendedores ambulantes etc.
Assim, surgem duas listas a que devemos atentar: a primeira é a lista de
atividades permitidas pelo MEI nacional que se encontra aqui. Outra é a lista de atividades permitidas em
seu município. Sim, pois após seu cadastro na Receita Federal, será necessário
um cadastro também na prefeitura onde você exerce sua função, devendo o
profissional estar em dia com ambos os órgãos. No meu caso, como moro em São
Paulo, sigo a lista encontrada aqui.
Agora falemos de alguns pontos importantes a respeito dessas funções.
Primeiro: quando do cadastro de sua empresa, você pode escolher até 15 funções
diferentes para a mesma. Isso significa que sua empresa não precisa se
restringir a oferecer apenas um tipo de serviço, mas vários. A natureza do
serviço prestado será discriminada quando da emissão da nota fiscal. Portanto,
vale a pena escolher algumas funções periféricas mesmo que elas não pareçam
serem necessárias num primeiro momento.
A parte confusa: os códigos. Existe um tipo de codificação criada pelo
IBGE chamada CNAE (Cadastro Nacional de Atividades
Econômicas). O CNAE se propõe a catalogar as mais diferentes áreas
profissionais e organizá-las por meio de organogramas. A Receita Federal
utiliza esses códigos para a definição de atividades de sua empresa. Mas
atentemos pro fato de que o MEI nos define funções de atuação
enquanto o cadastro na RF nos define áreas de atuação.
Portanto, na lista do MEI, aparecerá Técnico(a) de Sonorização e de
Iluminação enquanto no site da receita aparecerá Atividades de
Sonorização e iluminação. Esse detalhe pode parecer bobo num primeiro
momento, mas você verá como ele terá mais relevância logo adiante.
Até o início do ano passado, não havia a função Técnico(a)
de Sonorização e de Iluminação. Havia a função Disk Jockey (DJ) ou
Video Jockey (VJ). Contudo, ambas as funções pertenciam à mesma área, Atividades
de Sonorização e iluminação. Quando fiz meu cadastro na prefeitura de São
Paulo, eles analisaram as áreas selecionadas. E, pra minha
surpresa, a prefeitura se utiliza de uma nomenclatura e códigos diferentes das
da RF ou do MEI. Assim, realizei meu cadastro como DJ e emitia nota como
Operador de luz (à época do espetáculo Hécuba) pois aparecia
simplesmente Espetáculos Teatrais no código do serviço
prestado da nota.
Devo admitir que, no início, tive receio de ser pego em algum tipo de
malha fina que detectasse minha pequena contravenção. Um ano inteiro se passou.
Foram cerca de nove notas emitidas e uma pequena declaração de rendimentos
feita e não tive qualquer tipo de problema. Não que isso fosse um problema hoje
em dia já que a minha função principal almejada já foi regularizada (Técnico
de...). Então, fui além. Hoje atuo no espetáculo Hamlet, com direção de Ron
Daniels e protagonizado por Thiago Lacerda. Continuo emitindo a mesma nota com
o mesmo código de serviço, mudando apenas a discriminação do serviço. Detalhe:
atores não foram contemplados pelo MEI.
Assim como eu, tenho outros colegas que também se utilizam dessa falha
do sistema e emitem notas pra áreas não contempladas pelo programa.
Com isso, segue aí uma lista de atividades do MEI que apresentam alguma
ligação com áreas artísticas:
- TÉCNICO(A) DE SONORIZAÇÃO E DE ILUMINAÇÃO- DISC JOCKEY (DJ) OU VIDEO JOCKEY (VJ)
- EDITOR(A) DE VÍDEO
- FABRICANTE DE LUMINÁRIAS E OUTROS EQUIPAMENTOS DE ILUMINAÇÃO
- FOTÓGRAFO(A)
- FILMADOR(A)
- INSTRUTOR(A)
DE ARTES CÊNICAS
- INSTRUTOR(A)
DE MÚSICA
- PROMOTOR(A) DE
EVENTOS
- HUMORISTA E
CONTADOR DE HISTÓRIAS
- CANTOR(A)/MÚSICO(A)
INDEPENDENTE
- DUBLADOR(A)
- LOCUTOR(A) DE
MENSAGENS FONADAS E AO VIVO
- MÁGICO(A)
- PIROTÉCNICO(A)
- INSTRUTOR(A) DE ARTE E CULTURA EM GERAL
Claro que essas são apenas algumas que encontrei e que considerei que
pudessem ser úteis. Cada caso será um caso e cabe a você analisar o que serve.
Para se enquadrar no MEI, em tese, é possível fazer o cadastro direto
pelo Portal do Empreendedor. Mas para quem mora em São
Paulo, sugiro uma ida ao SEMEI, órgão da prefeitura criado especialmente para
esclarecer e ajudar na criação de novos MEIs. Lá, as atendentes farão teu
cadastro junto à RF e te encaminharão com os documentos certos à prefeitura. O
processo todo, até poder emitir nota fiscal, demora cerca de duas semanas. Na
primeira, haverá o pedido de CCM (Cadastro de Contribuinte Mobiliário) de
pessoa jurídica (pra quem tem CCM de pessoa física por conta da CPT, haverá a
criação de um novo). Na segunda, será o tempo de espera pra que sua Senha Web
seja liberada pra uso depois de pedido junto à prefeitura. De posse dessa
senha, você acessa o sistema da Nota
Fiscal Paulistana pra emitir notas.
Um ponto importante a lembrar é de verificar o regime de tributação no
primeiro acesso ao sistema. Ele deve ser o Simples Nacional. Do contrário, o
governo lhe cobrará taxas indesejáveis.
Creio que, em resumo, o ponto importante quando da decisão acerca das
atividades é observar áreas que sejam ao menos tangentes ao serviço esperado.
Hoje, conto com essa discrepância entre os sistemas do MEI, da RF e da
prefeitura de São Paulo. Não sei se é assim em todos os municípios. De qualquer
forma, os técnicos de luz e som já têm aí uma boa opção pra resolver seus
problemas de nota.
Câmbio, B.O.
Espaço dedicado às considerações, análises e vivências do fazer luz e todos os seus desdobramentos.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Viagens Troianas - Parte 2
Sei que faz bastante tempo, mas falarei do fim da turnê do Hécuba
ao menos para dar um desfecho ao assunto e relação dos teatros. Pelo grande
tempo, devo ter esquecido muitos detalhes, mas tentarei falar do que lembro. Os
teatros seguintes à última lista foram:
Teatro Pedro II, Ribeirão Preto;
Teatro Municipal de São José do Rio Preto;
Teatro São Pedro, Porto Alegre;
Teatro Pedro II -> Lindo teatro em formato ferradura, acústica impecável, grande palco. No entanto, uma característica bastante peculiar: possui uma enorme quantidade de refletores de 2kW e quase nenhum de 1kW. Além disso, as varas, embora elétricas, não são devidamente contrapesadas, o que nos obriga a manter refletores em certas varas para o simples propósito contrapeso. Bastante estranho, mas foram problemas facilmente contornáveis. O que me incomodou muito mais foi a atitude de um dos funcionários que ficou no turno da noite e seria o responsável por me ajudar na afinação. Mal havia chegado, estava no teatro há apenas uma hora e queria transferir a afinação da luz para o dia seguinte de manhã. Claro, ele não estaria lá nessa situação. Convencemos o funcionário de que deveríamos ficar e procedemos com a afinação. Nessa situação, onde dispunha somente desse funcionário e de um garoto sem tanta experiência para realizar a afinação, meu sistema de controle remoto (falarei sobre ele em outro post) fez-se essencial para ganhar tempo.
Teatro Municipal de São José do Rio Preto -> Aqui não há muito que dizer. Teatro grande, mas simples, equipamento relativamente velho, mas bem cuidado. Uma sala para o rack no canto do palco para a montagem. Uma mesa ETC Express 24/48. No proscênio, duas varas, uma SOBRE a outra (ao invés de uma atrás da outra) criando varas em alturas diferentes no lugar de distâncias diferentes. Havia dois técnicos na casa que me atenderam muito bem.
Teatro São Pedro -> E chegamos ao último teatro de nossa turnê onde fecharíamos nosso ciclo de apresentações. O teatro São Pedro é bastante famoso tanto em Porto Alegre quanto no resto do Brasil entre outras coisas pela administração de Dona Eva, uma senhora que cuida desse teatro com punho de ferro, mantendo seu alto padrão de qualidade. Teatro do tipo ferradura, possui um palco de tamanho médio, isso graças ao grande espaço ocupado por elevador e espaços para maquinaria. Possuem uma grande equipe de técnicos e um elevador que vai do fosso e surge de um alçapão no centro do palco o que é ótimo para levar cenário e equipamento cênico. São bastante rígidos em relação a cronograma e medidas de segurança. Enquanto o alçapão estava aberto, havia cones com correntes em seu entorno e não me foi permitido fazer qualquer tipo de montagem dentro do palco. Assim, fiquei um bom tempo coordenando as equipes que montavam nas frisas. À noite, durante a montagem, tivemos problemas sérios com o cenário. Assim, interrompi a montagem de luz e não realizei a afinação para que nosso cenotécnico pudesse ter luz, espaço e calma para resolver seu problema. Com isso, tomei uma decisão ousada: percebendo que não conseguiria afinar E programar toda a mesa para o espetáculo à noite (a mesa oferecida pelo teatro era uma Avolites Pearl 2010, na qual eu nunca tinha operado esse espetáculo e, portanto, não tinha um show salvo), resolvi operar utilizando meu ipad. Eu já o havia utilizado para processos de afinação de luz, mas nunca para operação. Já de posse dos canais, fiz o patch assim que cheguei ao hotel naquela noite e, com isso, possuía o show inteiro montado. Tive que fazer alguns leves ajustes devido à dinâmica particular do aplicativo do ipad e tive que pensar, pela primeira vez, nos tempos de cada transição. Sim, até então eu sempre operei na mão porque preferia assim e o espetáculo não tinha tantas Cues. No final, tudo correu relativamente bem. Havia ajustes a serem feitos do primeiro para o segundo dia, a luz não ficou perfeitamente operada e pude perceber algumas limitações do aplicativo que utilizei. Mas o mais importante, pra mim, foi que finalmente tive a oportunidade de testá-lo plenamente. Talvez eu não devesse ter feito isso num dia em que o diretor estava presente, mas tudo pelo bem da ciência!
E assim termino minha pequena saga com o espetáculo Hécuba. No geral, posso dizer que foram nove cidades de muito aprendizado, muitas felizes experiências e um trabalho do qual me orgulho muito. Fiz amigos, conheci pessoas e lugares e me considero um profissional bem mais capacitado depois disso tudo.
Cambio, B.O.
Teatro Pedro II, Ribeirão Preto;
Teatro Municipal de São José do Rio Preto;
Teatro São Pedro, Porto Alegre;
Teatro Pedro II -> Lindo teatro em formato ferradura, acústica impecável, grande palco. No entanto, uma característica bastante peculiar: possui uma enorme quantidade de refletores de 2kW e quase nenhum de 1kW. Além disso, as varas, embora elétricas, não são devidamente contrapesadas, o que nos obriga a manter refletores em certas varas para o simples propósito contrapeso. Bastante estranho, mas foram problemas facilmente contornáveis. O que me incomodou muito mais foi a atitude de um dos funcionários que ficou no turno da noite e seria o responsável por me ajudar na afinação. Mal havia chegado, estava no teatro há apenas uma hora e queria transferir a afinação da luz para o dia seguinte de manhã. Claro, ele não estaria lá nessa situação. Convencemos o funcionário de que deveríamos ficar e procedemos com a afinação. Nessa situação, onde dispunha somente desse funcionário e de um garoto sem tanta experiência para realizar a afinação, meu sistema de controle remoto (falarei sobre ele em outro post) fez-se essencial para ganhar tempo.
Teatro Municipal de São José do Rio Preto -> Aqui não há muito que dizer. Teatro grande, mas simples, equipamento relativamente velho, mas bem cuidado. Uma sala para o rack no canto do palco para a montagem. Uma mesa ETC Express 24/48. No proscênio, duas varas, uma SOBRE a outra (ao invés de uma atrás da outra) criando varas em alturas diferentes no lugar de distâncias diferentes. Havia dois técnicos na casa que me atenderam muito bem.
Teatro São Pedro -> E chegamos ao último teatro de nossa turnê onde fecharíamos nosso ciclo de apresentações. O teatro São Pedro é bastante famoso tanto em Porto Alegre quanto no resto do Brasil entre outras coisas pela administração de Dona Eva, uma senhora que cuida desse teatro com punho de ferro, mantendo seu alto padrão de qualidade. Teatro do tipo ferradura, possui um palco de tamanho médio, isso graças ao grande espaço ocupado por elevador e espaços para maquinaria. Possuem uma grande equipe de técnicos e um elevador que vai do fosso e surge de um alçapão no centro do palco o que é ótimo para levar cenário e equipamento cênico. São bastante rígidos em relação a cronograma e medidas de segurança. Enquanto o alçapão estava aberto, havia cones com correntes em seu entorno e não me foi permitido fazer qualquer tipo de montagem dentro do palco. Assim, fiquei um bom tempo coordenando as equipes que montavam nas frisas. À noite, durante a montagem, tivemos problemas sérios com o cenário. Assim, interrompi a montagem de luz e não realizei a afinação para que nosso cenotécnico pudesse ter luz, espaço e calma para resolver seu problema. Com isso, tomei uma decisão ousada: percebendo que não conseguiria afinar E programar toda a mesa para o espetáculo à noite (a mesa oferecida pelo teatro era uma Avolites Pearl 2010, na qual eu nunca tinha operado esse espetáculo e, portanto, não tinha um show salvo), resolvi operar utilizando meu ipad. Eu já o havia utilizado para processos de afinação de luz, mas nunca para operação. Já de posse dos canais, fiz o patch assim que cheguei ao hotel naquela noite e, com isso, possuía o show inteiro montado. Tive que fazer alguns leves ajustes devido à dinâmica particular do aplicativo do ipad e tive que pensar, pela primeira vez, nos tempos de cada transição. Sim, até então eu sempre operei na mão porque preferia assim e o espetáculo não tinha tantas Cues. No final, tudo correu relativamente bem. Havia ajustes a serem feitos do primeiro para o segundo dia, a luz não ficou perfeitamente operada e pude perceber algumas limitações do aplicativo que utilizei. Mas o mais importante, pra mim, foi que finalmente tive a oportunidade de testá-lo plenamente. Talvez eu não devesse ter feito isso num dia em que o diretor estava presente, mas tudo pelo bem da ciência!
E assim termino minha pequena saga com o espetáculo Hécuba. No geral, posso dizer que foram nove cidades de muito aprendizado, muitas felizes experiências e um trabalho do qual me orgulho muito. Fiz amigos, conheci pessoas e lugares e me considero um profissional bem mais capacitado depois disso tudo.
Cambio, B.O.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Viagens troianas - Parte 1
E vieram as próximas. Escrevo agora de meu quarto de hotel em São José do Rio Preto onde cheguei há algumas horas. Acordo amanhã cedo pra ir ao Teatro Municipal de SJRP fazer a montagem pra apresentações no sábado e no domingo.
Até agora, passamos pelos seguintes teatros:
Teatro Alterosa, Belo Horizonte;
Teatro Santa Isabel, Recife;
Teatro Municipal de São José dos Campos;
Teatro Coliseu, Santos;
Teatro Guaíra, Curitiba;
Teatro Municipal de Santo André;
Foram muitas experiências bacanas, outras nem tanto, mas certamente um aprendizado. Tentarei fazer rápidos comentários sobre cada um dos lugares.
Teatro Alterosa -> Equipe eficiente, relação de materiais razoável. A mesa é uma ETC Express 24/48 e possuem um equipamento de áudio mínimo. Apenas um dos funcionários chegou a me incomodar um dia porque haviam uns dois ou três refletores que quis reafinar no dia seguinte e o indivíduo ficou reclamando por isso.
Teatro Santa Isabel -> Feliz surpresa, fui esperando algo bem pior do que encontrei por lá. Tive um boa equipe à minha disposição e uma relação boa de materiais. A mesa era uma ETC Ion, fato que adorei. O único problema que tive foi em relação à escada que eles utilizam pra afinação. Grande demais, com rodinhas e travas laterais que seguram as pernas na posição, a escada é totalmente segura, mas completamente impraticável pra passagem por dentro de cenários. Além disso, foi meu primeiro desafio em um teatro do tipo "ferradura".
Teatro Municipal de São José dos Campos -> Sem dúvida, a ovelha negra dessa lista. Esse foi o teatro em que, com certeza, me deparei com a maior quantidade e os piores problemas. Com apenas dois técnicos, um de som e outro cenotécnico, o teatro não possui alguém responsável pela luz. As varas são travadas com cadeados e você precisa chamar o cenotécnico pra poder movê-las. E quando você mais precisa dele (lembrando que ele passa o resto do dia sentado nas cadeiras da plateia dormindo ou fazendo coisa alguma), onde ele está? Certamente não onde você gostaria que ele estivesse. Além disso, o equipamento, pela falta de um técnico que cuide, está em péssimo estado de conservação e faltando itens simples (eles têm muitos PCs, mas nenhum barndoor, por exemplo). Como se os problemas do teatro não bastassem, pegamos um péssimo produtor local que contratou apenas um cara pra me ajudar na montagem. Enfim, um lugar pra não querer voltar.
Teatro Coliseu -> Aqui, o problema é notado logo na chegada: o teatro não possui qualquer equipamento de iluminação. Isso mesmo, nada. Nenhum refletor, nenhuma mesa, nenhum rack. Apenas varas onde pendurar o equipamento. Isso se deve a um acidente que aconteceu quando de uma reforma anos atrás em que o engenheiro responsável pela instalação do sistema de luz fez algum erro e, no primeiro uso, todo o sistema queimou. Bonito, né? Resultado: tivemos que locar tudo, de refletores a rack e cabos. A empresa escolhida foi a Studio A, natural de Santos e acostumada a fazer trabalhos naquele teatro. No geral, tudo correu relativamente bem, os caras que encabeçavam a equipe foram super prestativos. Tivemos um problema momentos antes da primeira apresentação em que simplesmente um rack inteiro parou. O bom é que os caras da empresa, já conhecendo o material que têm, trouxeram racks sobressalentes.
Teatro Guaíra -> Fomos pelo Festival de Curitiba e tudo o que posso dizer é: UAU! No dia em que chegamos, haveria ainda um espetáculo acontecendo à noite e montaríamos de madrugada pra apresentarmos no dia seguinte. Pensei comigo, vai dar cagada! Mas a reputação da equipe do Guaíra é antiga e uma das melhores possível. E pelo que pude atestar, fazem jus. Tinha um equipe de umas cinco pessoas à minha disposição pelo que me lembro e os caras são muito rápidos e muito bons. Chega um momento em que acontece uma certa pressão, com cada um deles te perguntando coisas e você tendo que responder e dar atenção a cada um. Mas isso faz parte do que é trabalhar com esses caras. O teatro é incrível, absolutamente gigantesco e todo material que pedimos, o festival concedeu. A mesa que operei foi uma ETC Insight, que até então nem sabia que existia. É um modelo bem parecido com a Expression 3. Foi uma experiência muito boa.
Continuo a relação dos teatros num próximo post. Agora preciso dormir que amanhã o trabalho será puxado.
Câmbio, B.O.
Até agora, passamos pelos seguintes teatros:
Teatro Alterosa, Belo Horizonte;
Teatro Santa Isabel, Recife;
Teatro Municipal de São José dos Campos;
Teatro Coliseu, Santos;
Teatro Guaíra, Curitiba;
Teatro Municipal de Santo André;
Foram muitas experiências bacanas, outras nem tanto, mas certamente um aprendizado. Tentarei fazer rápidos comentários sobre cada um dos lugares.
Teatro Alterosa -> Equipe eficiente, relação de materiais razoável. A mesa é uma ETC Express 24/48 e possuem um equipamento de áudio mínimo. Apenas um dos funcionários chegou a me incomodar um dia porque haviam uns dois ou três refletores que quis reafinar no dia seguinte e o indivíduo ficou reclamando por isso.
Teatro Santa Isabel -> Feliz surpresa, fui esperando algo bem pior do que encontrei por lá. Tive um boa equipe à minha disposição e uma relação boa de materiais. A mesa era uma ETC Ion, fato que adorei. O único problema que tive foi em relação à escada que eles utilizam pra afinação. Grande demais, com rodinhas e travas laterais que seguram as pernas na posição, a escada é totalmente segura, mas completamente impraticável pra passagem por dentro de cenários. Além disso, foi meu primeiro desafio em um teatro do tipo "ferradura".
Teatro Municipal de São José dos Campos -> Sem dúvida, a ovelha negra dessa lista. Esse foi o teatro em que, com certeza, me deparei com a maior quantidade e os piores problemas. Com apenas dois técnicos, um de som e outro cenotécnico, o teatro não possui alguém responsável pela luz. As varas são travadas com cadeados e você precisa chamar o cenotécnico pra poder movê-las. E quando você mais precisa dele (lembrando que ele passa o resto do dia sentado nas cadeiras da plateia dormindo ou fazendo coisa alguma), onde ele está? Certamente não onde você gostaria que ele estivesse. Além disso, o equipamento, pela falta de um técnico que cuide, está em péssimo estado de conservação e faltando itens simples (eles têm muitos PCs, mas nenhum barndoor, por exemplo). Como se os problemas do teatro não bastassem, pegamos um péssimo produtor local que contratou apenas um cara pra me ajudar na montagem. Enfim, um lugar pra não querer voltar.
Teatro Coliseu -> Aqui, o problema é notado logo na chegada: o teatro não possui qualquer equipamento de iluminação. Isso mesmo, nada. Nenhum refletor, nenhuma mesa, nenhum rack. Apenas varas onde pendurar o equipamento. Isso se deve a um acidente que aconteceu quando de uma reforma anos atrás em que o engenheiro responsável pela instalação do sistema de luz fez algum erro e, no primeiro uso, todo o sistema queimou. Bonito, né? Resultado: tivemos que locar tudo, de refletores a rack e cabos. A empresa escolhida foi a Studio A, natural de Santos e acostumada a fazer trabalhos naquele teatro. No geral, tudo correu relativamente bem, os caras que encabeçavam a equipe foram super prestativos. Tivemos um problema momentos antes da primeira apresentação em que simplesmente um rack inteiro parou. O bom é que os caras da empresa, já conhecendo o material que têm, trouxeram racks sobressalentes.
Teatro Guaíra -> Fomos pelo Festival de Curitiba e tudo o que posso dizer é: UAU! No dia em que chegamos, haveria ainda um espetáculo acontecendo à noite e montaríamos de madrugada pra apresentarmos no dia seguinte. Pensei comigo, vai dar cagada! Mas a reputação da equipe do Guaíra é antiga e uma das melhores possível. E pelo que pude atestar, fazem jus. Tinha um equipe de umas cinco pessoas à minha disposição pelo que me lembro e os caras são muito rápidos e muito bons. Chega um momento em que acontece uma certa pressão, com cada um deles te perguntando coisas e você tendo que responder e dar atenção a cada um. Mas isso faz parte do que é trabalhar com esses caras. O teatro é incrível, absolutamente gigantesco e todo material que pedimos, o festival concedeu. A mesa que operei foi uma ETC Insight, que até então nem sabia que existia. É um modelo bem parecido com a Expression 3. Foi uma experiência muito boa.
Continuo a relação dos teatros num próximo post. Agora preciso dormir que amanhã o trabalho será puxado.
Câmbio, B.O.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Hécuba
Percebo hoje que recaí em meu velho problema: incapaz de lidar com processos de longo prazo, tenho dificuldades em apresentar coisas simples, sentindo sempre a necessidade de oferecer algo dito "completo". Daí meu extenso afastamento desse blog.
Desde o "Crônica", tanta coisa aconteceu: balés israelenses e norte americanos, visita guiada pelo teatro municipal, contrarregragem pra Cia. dos Atores, iluminação de peça evangélica no Festival de Teatro de Angra etc. Foi assim meu segundo semestre, profissionalmente bastante frutífero.
Após a parceria que deu tão certo na "Crônica", fui chamado pra participar do trabalho seguinte do Gabriel Villela: a tragédia grega "Hécuba". Dessa vez, diferente do que aconteceu no trabalho anterior, tive a chance de participar do processo de criação junto à Miló Martins. Trabalhamos durante umas duas semanas no teatro Vivo, no Morumbi. Pudemos acompanhar o processo final de arremate da encenação.
Tivemos complicações durante o processo (como não poderia deixar de ser). Primeiro, o drama dos gobos, que, encomendados na Gobos do Brasil, passaram por um processo extremamente burocrático para que eu os recebesse. Mas nosso maior inimigo foi mesmo o próprio espaço. O teatro Vivo não oferece condições técnicas muito favoráveis. Com um pé direito baixo, há uma distância enorme entre a vara de proscênio e a primeira vara de dentro do palco. O equipamento é bastante limitado, sendo composto por alguns elipsoidais, algumas PAR (110V por acaso, obrigando o uso de séries), pouquíssimos fresnéis e PCs e alguns setlights.
A vara de proscênio não desce e as varas de dentro do palco são manuais por contrapeso. Todas as varas são paraleladas, gerando muitas confusões se não estiver atento à plugagem. Não há varas laterais, sendo usados, improvisadamente, alguns canos que passam na parte inferior da passarela técnica. A primeira medida da Miló foi alugar quase 80% do material utilizado na peça. Baseou boa parte de sua luz em fresnéis (utilizamos mais de 40) e, pensando no pouco espaço oferecido, Source Four PAR.
Houve um certo conflito sobre qual seria a cara dessa luz. Normalmente, pensamos em tragédias como obras soturnas e escuras, trazendo o peso da obra para a estética do espetáculo. Considerando que o peso da obra está em seu próprio caráter trágico e sabendo que o Gabriel gosta de muita luz e pouca sombra em seus atores (Miló já havia trabalhado com ele como assistente do Guilherme Bonfanti anos antes), investimos numa geral bem feita e fria, sendo usado o corretivo L201. Isso, para minha surpresa, ressaltou bastante o desenho do cenário e favoreceu o figurino colorido dos atores. Usamos poucas cores que surgem na forma do L354 e L166 e situações bem específicas. O console de luz utilizado foi uma ETC Express 24/48, onde produzimos um total de 42 cenas operadas em Cue.
Por fim, um dos maiores problemas mesmo que tivemos nesse trabalho, além do espaço físico, foi a relação com o pessoal técnico/administrativo do espaço. Composto por um pessoal, a meu ver, desqualificado e acomodado (com "síndrome de funcionário público"), tivemos sérios problemas ao longo de vários momentos da temporada.
Assim, ficamos de novembro ao início de fevereiro nesse teatro onde, apesar do difícil acesso, ingresso caro, falta de infraestrutura e um texto de tragédia grega que normalmente não é lá muito popular, tivemos uma temporada razoavelmente boa. Uma das coisas que me moveu a escrever essa postagem de hoje é o fato de que terminei hoje a primeira parte da turnê deste mesmo trabalho. Hécuba viaja agora por várias cidades e fizemos hoje nossa terceira e última apresentação no Teatro Alterosa em Belo Horizonte. Semana que vem, Recife (e quem acompanha esse blog sabe que tenho lembranças desse lugar...). E que venham os próximos.
Ficha Técnica
Elenco: Walderez de Barros, Flávio Tolezani, Fernando Neves, Leo Diniz, Luisa Renaux, Luiz Araújo, Rogério Romera, Nábia Vilela e Marcelo Boffat
Direção, Adaptação e Figurinos: Gabriel Villela
Texto: Eurípedes
Tradução: Mário da Gama Kury
Assistência de direção: César Augusto e Ivan Andrade
Cenografia: Márcio Vinícius
Adereços: Shicó do Mamulengo
Desenho de luz: Miló Martins
Preparação vocal: Babaya
Antropologia da voz: Francesca Della Monica
Direção musical e arranjos vocais: Ernani Maletta
Preparação corporal: Ricardo Rizzo
Operação de luz: Fernando Azambuja
Contrarregragem: Alex Peixoto
Fotos: João Caldas
Direção de Produção: Claudio Fontana
Câmbio, B.O.
Desde o "Crônica", tanta coisa aconteceu: balés israelenses e norte americanos, visita guiada pelo teatro municipal, contrarregragem pra Cia. dos Atores, iluminação de peça evangélica no Festival de Teatro de Angra etc. Foi assim meu segundo semestre, profissionalmente bastante frutífero.
Após a parceria que deu tão certo na "Crônica", fui chamado pra participar do trabalho seguinte do Gabriel Villela: a tragédia grega "Hécuba". Dessa vez, diferente do que aconteceu no trabalho anterior, tive a chance de participar do processo de criação junto à Miló Martins. Trabalhamos durante umas duas semanas no teatro Vivo, no Morumbi. Pudemos acompanhar o processo final de arremate da encenação.
Tivemos complicações durante o processo (como não poderia deixar de ser). Primeiro, o drama dos gobos, que, encomendados na Gobos do Brasil, passaram por um processo extremamente burocrático para que eu os recebesse. Mas nosso maior inimigo foi mesmo o próprio espaço. O teatro Vivo não oferece condições técnicas muito favoráveis. Com um pé direito baixo, há uma distância enorme entre a vara de proscênio e a primeira vara de dentro do palco. O equipamento é bastante limitado, sendo composto por alguns elipsoidais, algumas PAR (110V por acaso, obrigando o uso de séries), pouquíssimos fresnéis e PCs e alguns setlights.
A vara de proscênio não desce e as varas de dentro do palco são manuais por contrapeso. Todas as varas são paraleladas, gerando muitas confusões se não estiver atento à plugagem. Não há varas laterais, sendo usados, improvisadamente, alguns canos que passam na parte inferior da passarela técnica. A primeira medida da Miló foi alugar quase 80% do material utilizado na peça. Baseou boa parte de sua luz em fresnéis (utilizamos mais de 40) e, pensando no pouco espaço oferecido, Source Four PAR.
Houve um certo conflito sobre qual seria a cara dessa luz. Normalmente, pensamos em tragédias como obras soturnas e escuras, trazendo o peso da obra para a estética do espetáculo. Considerando que o peso da obra está em seu próprio caráter trágico e sabendo que o Gabriel gosta de muita luz e pouca sombra em seus atores (Miló já havia trabalhado com ele como assistente do Guilherme Bonfanti anos antes), investimos numa geral bem feita e fria, sendo usado o corretivo L201. Isso, para minha surpresa, ressaltou bastante o desenho do cenário e favoreceu o figurino colorido dos atores. Usamos poucas cores que surgem na forma do L354 e L166 e situações bem específicas. O console de luz utilizado foi uma ETC Express 24/48, onde produzimos um total de 42 cenas operadas em Cue.
Por fim, um dos maiores problemas mesmo que tivemos nesse trabalho, além do espaço físico, foi a relação com o pessoal técnico/administrativo do espaço. Composto por um pessoal, a meu ver, desqualificado e acomodado (com "síndrome de funcionário público"), tivemos sérios problemas ao longo de vários momentos da temporada.
Assim, ficamos de novembro ao início de fevereiro nesse teatro onde, apesar do difícil acesso, ingresso caro, falta de infraestrutura e um texto de tragédia grega que normalmente não é lá muito popular, tivemos uma temporada razoavelmente boa. Uma das coisas que me moveu a escrever essa postagem de hoje é o fato de que terminei hoje a primeira parte da turnê deste mesmo trabalho. Hécuba viaja agora por várias cidades e fizemos hoje nossa terceira e última apresentação no Teatro Alterosa em Belo Horizonte. Semana que vem, Recife (e quem acompanha esse blog sabe que tenho lembranças desse lugar...). E que venham os próximos.
Ficha Técnica
Elenco: Walderez de Barros, Flávio Tolezani, Fernando Neves, Leo Diniz, Luisa Renaux, Luiz Araújo, Rogério Romera, Nábia Vilela e Marcelo Boffat
Direção, Adaptação e Figurinos: Gabriel Villela
Texto: Eurípedes
Tradução: Mário da Gama Kury
Assistência de direção: César Augusto e Ivan Andrade
Cenografia: Márcio Vinícius
Adereços: Shicó do Mamulengo
Desenho de luz: Miló Martins
Preparação vocal: Babaya
Antropologia da voz: Francesca Della Monica
Direção musical e arranjos vocais: Ernani Maletta
Preparação corporal: Ricardo Rizzo
Operação de luz: Fernando Azambuja
Contrarregragem: Alex Peixoto
Fotos: João Caldas
Direção de Produção: Claudio Fontana
Câmbio, B.O.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Crônica da Casa Assassinada
E chego a um novo projeto: “Crônica da Casa
Assassinada” com direção de Gabriel Villela e iluminação de Domingos
Quintiliano. Já tendo cumprido temporada no Rio de Janeiro (teatro Maison de
France), pego a adaptação para os palcos do meu conhecido SESC Vila Mariana.
A montagem começou dia 13 de setembro e
teríamos três dias pra realizá-la, sendo a estréia no dia 16. De posse do mapa
que recebi do Domingos (já adaptado), fiquei tranqüilo pensando que teríamos
tempo de sobra.
A situação toda se complicou logo no
primeiro dia quando descobri que Domingos não poderia estar presente o dia todo
e a montagem ficaria na minha mão pelas instruções que ele havia me passado. É
bem verdade que ele me passou um material extremamente útil: fotos da afinação
de cada canal. Ainda assim, haviam detalhes que eu desconhecia, além de não
conhecer a peça no todo (a não ser por vídeo).
Esses dois primeiros dias foram confusos
pra mim, fiquei bastante receoso. Fizemos o que pudemos no teatro, dentro do
limite do quanto consegui entender do material que me foi passado. Fiz
adaptações. As possibilidades de angulações no Vila Mariana eram muito
diferentes daquela do Maison. Percebi,
por exemplo, que não poderia fazer a parte da geral que pega o fundo do cenário
com os refletores da sanca porque eles projetariam as sombras dos refletores da
vara de proscênio sobre o palco. Assim, criei uma nova geral composta de 6 fresnéis
de 1kW na vara de proscênio que acredito ter resolvido bem a situação.
Outro probleminha com que me deparei foi
que o elipso que fazia o efeito verde na cruz atrás da porta não pegava toda a
altura da cruz, deixando a ponta superior escura. Pra resolver o problema,
precisaria criar algo que complementasse a mancha verde do elipso. Considerando
que tínhamos duas PAR 56 (locolight) sobrando (foram locadas a mais), resolvi
utilizá-las pra fazer esse complemento. Instalei-as na estrutura superior que
suporta as pilastras do cenário. Além da gelatina verde (R86), tive que usar um
forte difusor de forma a amaciar a luz desses refletores já que a mesma é bem
suja.
E probleminhas desse tipo foram surgindo a
todo instante, coisa mais ou menos normal de acontecer entre a concepção de um
projeto de luz e sua execução. Talvez uma das questões que mais me incomodou
nesse processo todo foi o que considerei minha inabilidade de coordenação de
montagem. Percebi que ainda tenho muito o que aprender sobre essa área e devo me preparar e
organizar melhor nesse sentido. Quando nessa posição, a equipe olha pra ti em
busca de respostas e soluções, ordens claras, rápidas e precisas. Dúvidas tornam-se
sinal de fraqueza e incompetência e por vezes vi-me nessa situação. Só não foi
pior porque eu, ao menos, conheço o pessoal da casa e a equipe que estava
presente era de colegas com quem estou normalmente trabalhando.
Por fim, o grande dia: a estréia. Não tendo
feito um ensaio técnico completo e contando apenas com o que vi do ensaio dos
atores e do vídeo, parti pra operação com mãos trêmulas. A mesa utilizada foi a
da casa, uma ETC Express 48/96. As cenas foram salvas em subs em quatro páginas cada
uma com 13 cenas aproximadamente.
Domingos preferiu assim por ter feito dessa forma em um dos lugares por
onde a peça passou e ele utilizou uma mesa Avolites onde ele simplesmente girava o rolo para a troca de página.
Devo dizer que nesse momento, a figura de César Augusto foi essencial. Esse
assistente de direção, sentado ao meu lado, guiou-me durante toda a
apresentação, ajudando em todo o processo de operação. Claro, não foi perfeito
e muita coisa teria de ser trabalhada pros dias seguintes. Mas também não fui
tão ruim quanto imaginei que seria. No geral, senti que consegui respirar junto
com os atores e tudo fluiu.
Semana seguinte e primeira remontagem.
Novamente tenso, com medo de não encaixar as peças nos lugares certos. Mas
sinto que estou conhecendo cada vez mais essa peça, que faço parte da história
já de alguma forma. Que ajudo a contá-la.
Quanto à peça em si, devo admitir que tive
um certo preconceito à primeira vista, mas agora me apeguei. Tenho apreço
particular por certas cenas como a do bêbado. Achei interessante que o elenco e
a direção reforcem diariamente a idéia de um aquecimento coletivo. Acho legal a
atitude dos atores que todos os dias cumprimentam a todos da equipe e reconhecem
nossos trabalhos. Parece meio óbvio, mas nem sempre essas ações são tão comuns
assim.
Coloco a seguir o mapa atualizado para o
palco do Teatro do SESC Vila Mariana.
Ficha Técnica
Elenco: Cacá Toledo, Flávio Tolezani, Helio Souto Jr., Letícia Teixeira, Marco Furlan, Maria do Carmo Soares, Pedro Henrique Moutinho, Rogério Romera e Sérgio Rufino
Atriz convidada: Xuxa Lopes
Direção: Gabriel Villela
Cenografia: Márcio Vinícius
Figurino:Gabriel Villela
Iluminação: Domingos Quintiliano
Sonoplastia: Gabriel Villela
Operador de luz: Fernando Azambuja
Operador de som: Marcelo Violla
Direção de palco: Alex Peixoto
Camareira: Marlene Collé
Elenco: Cacá Toledo, Flávio Tolezani, Helio Souto Jr., Letícia Teixeira, Marco Furlan, Maria do Carmo Soares, Pedro Henrique Moutinho, Rogério Romera e Sérgio Rufino
Atriz convidada: Xuxa Lopes
Direção: Gabriel Villela
Cenografia: Márcio Vinícius
Figurino:Gabriel Villela
Iluminação: Domingos Quintiliano
Sonoplastia: Gabriel Villela
Operador de luz: Fernando Azambuja
Operador de som: Marcelo Violla
Direção de palco: Alex Peixoto
Camareira: Marlene Collé
Assistência de direção: César Augusto e Ivan Andrade
Serviço
SESC Vila Mariana
Rua Pelotas, 141 - Vila Mariana
De 16.09 a 16.10
Sextas e sábados às 21h
Domingos às 18h
Câmbio, B.O.
Rua Pelotas, 141 - Vila Mariana
De 16.09 a 16.10
Sextas e sábados às 21h
Domingos às 18h
Câmbio, B.O.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
3º dia de CUE
Chegamos ao último dia. Foi estranho mas já cheguei no centro de convenções com aquela sensação de despedida, de ser uma pena aquilo tudo estar acabando. Foi tudo muito incrível. Estrutura bacana, organização muito boa, infraestrutura pros participantes, material, atenção por parte dos profissionais... enfim, dá pra entender que a coisa realmente foi muito bem preparada.
Ontem, pela minha apresentção, o Joe, responsável pelas apresentações, me deu um vale brinde em que eu poderia pegar qualquer item da loja de lembranças da ETC. Chegando lá, resolvi que queria o DVD de treinamento básico da ION. Descobri, pra minha tristeza, que o DVD era, tecnicamente, um produto e não um dos souveniers da loja. Portanto, meu cupom não valia pra ele. Contudo, após conversar com algumas pessoas, colocar meus motivos, resolveram aceitar e pude levar o DVD. Entregarei pra escola como material didático. Aguardem.
O dia começou com uma palestra do Jason Lyons, um famoso iluminador de espetáculos da Broadway. Pareceu-me um cara sensato, o tempo todo colocando em perspectiva algumas questões bem obtusas levantadas pelo público.Uma característica interessante do discurso dele é que, por ele ser da Broadway, o nível de equipamento com que ele trabalha é simplesmente algo descomunal com o qual eu nem sequer imaginava. Coisas como 400 Parleds, 200 movings e 8 mil canais de mesa são coisas comuns pra ele. Chegou a falar de um espetáculo que ele fez que tinha em torno de 1400 cues...
Fui pra minha primeira aula do dia. Sistemas de rede, particularmente, o sistema Net3 da ETC. Foi muito interessante entender também um pouco das possibilidades dessa nova forma de interligar o equipamento, as vantagens que isso oferece. Foi outro espaço em que fui avassalado por números. Pelo Brasil, não sei se já temos esse equipamento, mas a ETC tem toda uma linha de equipamentos voltados pra iluminação arquitetônica e os sistemas arquitetônicos e teatrais conversam entre si. O palestrante colocou um exemplo de um lugar em que eles montaram a estrutura e era algo descomunal. Ele chegou a falar que 16 mil canais eram pouco pra esse projeto. Citou que, certa vez, alguém por engano chegou a ligar no sistema de dimmers todas as luzes do local. E a fornecedora de energia da região ligou pro local pra saber o que estava aontecendo... (esperem o post da fábrica da ETC...)
Fomos almoçar e assisti a apresentaçãoes de outros participantes do evento. Alguns trouxeram umas coisas bem interessantes. O que mais me chamou atenção foi o último. Era um cara que adoarava construir soluções criativas pra novas fontes de luz. A forma como ele construiu uma tocha elétrica, vagalumes e outras traquitanas foi simplesmente genial!
A próxima aula era uma palestra conjunta do Jason com o programador dele, o Victor Seastone. Sei que parece estranho falar em programador na iluminação, parece coisa de informática. Mas por aqui, isso é levado muito a sério, principalmente na Broadway onde as coisas são absurdamente grandes. Ele falou de algumas experiências dele e algumas práticas que ele considera importantes em seu trabalho.
Sigo pra mais uma aula. Dessa vez, manutenção de equipamentos. Admito que o palestrante não tenha me revelado nenhuma grande novidade, mas valeu porque peguei alguns detalhes interessantes dos racks e dimmers ETC.
Fomos pra última aula do dia e do evento como um todo. "Resolução de problemas" era o nome. O palestrante é um dos responsáveis pelo atendimento ao consumidor da ETC e é quem resolve a maior parte dos problemas dos clientes. Ele também não ensinou nenhuma mágica mas ajudou a construir uma mentalidade de resolução de problemas interessante. Estabeleceu algumas práticas, métodos, caminhos possíveis, tudo de forma bastante abstrata, de tal forma que aquilo poderia ser aplicado a qualquer sistema, não só ETC.
Um detalhe interessante sobre essa palestra é que o palestrante é um dos responsáveis pelos treinamentos ETC. Acabando a aula, conversei com ele sobre a "questão Telem" e um pouco sobre a escola. Ele me disse que tem planos pra América no Sul, mas ainda não estruturou muito bem por falta de tempo e porque é algo que ele ainda deve pensar a respeito. Deu-me seu cartão e disse pra entrar em contato com ele pra pensarmos alguma coisa, talvez até mesmo incluindo a escola. Quem sabe?
Outra pessoa que me deu seu cartão foi a assistente do gerente regional para a América do Sul, Heidi. Disse que, qualquer problema, poderia entrar em ontato com ela. Enfim, alguns contatos importantes de se ter.
E foi assim meu último dia na CUE ETC. Após despedir-me de alguns, saí de lá com a sensação de "quero mais". Foi muito boa a sensação de ter contato com alguns conhecimentos realmente novos. Nem sequer tive a chance de visitar o laboratório deles pra experimentar nas mesas as coisas que aprendi. Mas acho que valeu. Amanhã, ainda estarei por aqui e vou dar uma volta pela cidade. Acho que foi um evento gostoso onde todos ali se sentiram acolhidos pelo pessoal da ETC. Nesse sentido, acredito que o discurso do Fred (ver post de ontem) não era falacioso. Ficam aqui os votos pra que, de fato, esse evento volte a acontecer. E que eu possa viver essa experiência bacana mais uma vez.
Câmbio, B.O.
Ontem, pela minha apresentção, o Joe, responsável pelas apresentações, me deu um vale brinde em que eu poderia pegar qualquer item da loja de lembranças da ETC. Chegando lá, resolvi que queria o DVD de treinamento básico da ION. Descobri, pra minha tristeza, que o DVD era, tecnicamente, um produto e não um dos souveniers da loja. Portanto, meu cupom não valia pra ele. Contudo, após conversar com algumas pessoas, colocar meus motivos, resolveram aceitar e pude levar o DVD. Entregarei pra escola como material didático. Aguardem.
O dia começou com uma palestra do Jason Lyons, um famoso iluminador de espetáculos da Broadway. Pareceu-me um cara sensato, o tempo todo colocando em perspectiva algumas questões bem obtusas levantadas pelo público.Uma característica interessante do discurso dele é que, por ele ser da Broadway, o nível de equipamento com que ele trabalha é simplesmente algo descomunal com o qual eu nem sequer imaginava. Coisas como 400 Parleds, 200 movings e 8 mil canais de mesa são coisas comuns pra ele. Chegou a falar de um espetáculo que ele fez que tinha em torno de 1400 cues...
Fui pra minha primeira aula do dia. Sistemas de rede, particularmente, o sistema Net3 da ETC. Foi muito interessante entender também um pouco das possibilidades dessa nova forma de interligar o equipamento, as vantagens que isso oferece. Foi outro espaço em que fui avassalado por números. Pelo Brasil, não sei se já temos esse equipamento, mas a ETC tem toda uma linha de equipamentos voltados pra iluminação arquitetônica e os sistemas arquitetônicos e teatrais conversam entre si. O palestrante colocou um exemplo de um lugar em que eles montaram a estrutura e era algo descomunal. Ele chegou a falar que 16 mil canais eram pouco pra esse projeto. Citou que, certa vez, alguém por engano chegou a ligar no sistema de dimmers todas as luzes do local. E a fornecedora de energia da região ligou pro local pra saber o que estava aontecendo... (esperem o post da fábrica da ETC...)
Fomos almoçar e assisti a apresentaçãoes de outros participantes do evento. Alguns trouxeram umas coisas bem interessantes. O que mais me chamou atenção foi o último. Era um cara que adoarava construir soluções criativas pra novas fontes de luz. A forma como ele construiu uma tocha elétrica, vagalumes e outras traquitanas foi simplesmente genial!
A próxima aula era uma palestra conjunta do Jason com o programador dele, o Victor Seastone. Sei que parece estranho falar em programador na iluminação, parece coisa de informática. Mas por aqui, isso é levado muito a sério, principalmente na Broadway onde as coisas são absurdamente grandes. Ele falou de algumas experiências dele e algumas práticas que ele considera importantes em seu trabalho.
Sigo pra mais uma aula. Dessa vez, manutenção de equipamentos. Admito que o palestrante não tenha me revelado nenhuma grande novidade, mas valeu porque peguei alguns detalhes interessantes dos racks e dimmers ETC.
Fomos pra última aula do dia e do evento como um todo. "Resolução de problemas" era o nome. O palestrante é um dos responsáveis pelo atendimento ao consumidor da ETC e é quem resolve a maior parte dos problemas dos clientes. Ele também não ensinou nenhuma mágica mas ajudou a construir uma mentalidade de resolução de problemas interessante. Estabeleceu algumas práticas, métodos, caminhos possíveis, tudo de forma bastante abstrata, de tal forma que aquilo poderia ser aplicado a qualquer sistema, não só ETC.
Um detalhe interessante sobre essa palestra é que o palestrante é um dos responsáveis pelos treinamentos ETC. Acabando a aula, conversei com ele sobre a "questão Telem" e um pouco sobre a escola. Ele me disse que tem planos pra América no Sul, mas ainda não estruturou muito bem por falta de tempo e porque é algo que ele ainda deve pensar a respeito. Deu-me seu cartão e disse pra entrar em contato com ele pra pensarmos alguma coisa, talvez até mesmo incluindo a escola. Quem sabe?
Outra pessoa que me deu seu cartão foi a assistente do gerente regional para a América do Sul, Heidi. Disse que, qualquer problema, poderia entrar em ontato com ela. Enfim, alguns contatos importantes de se ter.
E foi assim meu último dia na CUE ETC. Após despedir-me de alguns, saí de lá com a sensação de "quero mais". Foi muito boa a sensação de ter contato com alguns conhecimentos realmente novos. Nem sequer tive a chance de visitar o laboratório deles pra experimentar nas mesas as coisas que aprendi. Mas acho que valeu. Amanhã, ainda estarei por aqui e vou dar uma volta pela cidade. Acho que foi um evento gostoso onde todos ali se sentiram acolhidos pelo pessoal da ETC. Nesse sentido, acredito que o discurso do Fred (ver post de ontem) não era falacioso. Ficam aqui os votos pra que, de fato, esse evento volte a acontecer. E que eu possa viver essa experiência bacana mais uma vez.
Câmbio, B.O.
2º dia de CUE
E chegamos ao segundo dia como já esperado: exausto e tremendamente nervoso pela apresentação que iria ocorrer na hora do almoço. Consegui terminar de montá-la ontem à noite, mas estava longe de devidamente ensaiada e estudada. Cheguei ao Centro de convenções e me deparei com a apresentação do Fred Foster, CEO da ETC. O cara pareceu ser bem trânquilo, gente boa mesmo. Claro que, apesar de uma parte do discurso ser bem bacana, contando a história da empresa quando ele começou a fabricar seu primeiro console na garagem dos pais junto com o irmão, também teve muito papinho de vendedor tentando vangloriar a própria marca.
O interessante da apresentação, além de conhecer um pouco da trajetória da empresa, foi que ele utilizou um protótipo em que a ETC está trabalhando: elipsos de LED. Qualidade? Admito que achei bem interessante. Acredito que conseguiram atingir um campo bem amplo de cores do espectro, isso porque acho que usaram os mesmos conceitos de LEDs que foram usados nas linhas Selador e Desire, onde você tem sete cores báscicas pra tentar montar o espectro. O branco, é claro, não tinha a mesma temperatura de um elipso com halógena, mas ainda assim gostei bastante do brilho. A promessa deles é atingir o branco solar.
Terminando a apresentação, começaram as sessões. Aqui, devo admitir que meu dia já não foi tão produtivo quanto ontem. Hoje, pra mim, ficou clara uma certa diferença que existe entre os modos de produção e poder aquisitivo brasileiro e americano. Eles são muito mais ligados a essa questão tecnológica do que nós. Até mesmo pela facilidade que têm em conseguir materiais. Soube, por exemplo, que e ETC fornece material gratuito pros teatros de algumas escolas com finalidades de beta teste. Logo, se eles têm acesso a esse tipo de material, então eles também entenderão muito melhor uma série de conceitos relacionados a essas tecnologias que nós não temos por terras tupiniquins. E foi aí que comecei a ficar perdido.
Minha primeira seção foi sobre a filosofia de programação dos consoles. Em outras palavras, seria algo como explicar o porquê que algumas coisas na mesa funcionam da forma como funcionam. Não que não tenha sido útil mas, ao longo do dia, fui percebendo que alguns assuntos simplesmente requeriam um certo conhecimento anterior que eu não tinha.
Acabada essa seção, tivemos o intervalo do almoço em que não comi pra aproveitar e estudar um pouco melhor minha apresentação.E veio a apresentação. Comecei a tremer, gaguejar, suar frio. Eu dominava sim o assunto, mas tinha o lance do formato Pecha Kucha que eu deveria seguir (20 slides de 20 segundos, totalizando uma apresentação de 6'40") e além disso meu inglês já não está tão bom quanto á foi em tempos idos. Eu compreendo boa parte do que escuto, mas ando tendo uma certa dificuldade pra falar. Simples falta de costume, mas nada disso me consolava pra apresentação. A ideia é que eu começasse falando um pouco sobre minha relação com a escola de daí partisse pro Guilherme, Vertigem , estudo de caso do BR-3 e daí, por fim, chegar ao projeto do Hamlet Machina. Pois bem, fiz o melhor que pude, quase desfalecendo de nervoso na frente daquele povo, sem saber exatamente se aquela galera mega profissional e com outra cabeça gostaria do meu trabalho mambembe.
Pra minha total surpresa, acredito realmente que fui bem recebido, ao menos pela maioria. Muitas pessoas vieram falar comigo depois de como aquele assunto era interessante e como eles ficaram fascinados com a ideia de fazer algo tão legal com tão pouco. Admito que fiquei bem felliz com essa recepção, as pessoas foram bastante simpáticas e deram bastante suporte. Principalmente o pessoal da ETC que o tempo todo me apoiou e fez de tudo pra me ajudar (até levar algo pra eu comer quando eu cheguei atrasado na aula e não tive tempo de tomar café!).
Aliás, só como um aparte, é incrível como essa viagem tem sido interessante no que diz respeito às pessoas generosas e prestativas que tenho encontrado pelo caminho. Desde minha saída de São Paulo quando as atendentes da Cia aérea me ajudaram a remarcar o vôo até uma moça aqui do albergue que me cedeu um pouco da comida dela, do cara que chegou de madrugada e me ouviu com a maior paciência do mundo ensaiar minha apresentação até o outro que me arranjou uma toalha quando eu achei que tinha perdido a minha, da menina da ETC que me trouxe comida dentro da sala ao meu parceiro de mesa do primeiro dia que teve a maior paciência em me ensinar uma monte de coisas, todos esse encontros me fizeram acreditar um pouco mais na humanidade.
Então continuamos com mais algumas aulas (sobre MIDI e pixel mapping) e chegamos ao fim das aulas de hoje. Vem a parte legal: piquenique na fábrica da ETC! Na porta do centro de convenções um ônibus nos buscou e levou até lá. Comemos e bebemos do lado de fora, em tendas montadas num gramado em frente à fábrica.
O próprio Fred apareceu em determinado momento vestido de sorveteiro e como eu já tinha terminado meu almoço, resolvi pegar um picolé e levar um papo com meu amigo Fred. Devo dizer que tomei coragem pra levantar o assunto Telem e ele ficou interessado...
O interessante da apresentação, além de conhecer um pouco da trajetória da empresa, foi que ele utilizou um protótipo em que a ETC está trabalhando: elipsos de LED. Qualidade? Admito que achei bem interessante. Acredito que conseguiram atingir um campo bem amplo de cores do espectro, isso porque acho que usaram os mesmos conceitos de LEDs que foram usados nas linhas Selador e Desire, onde você tem sete cores báscicas pra tentar montar o espectro. O branco, é claro, não tinha a mesma temperatura de um elipso com halógena, mas ainda assim gostei bastante do brilho. A promessa deles é atingir o branco solar.
Terminando a apresentação, começaram as sessões. Aqui, devo admitir que meu dia já não foi tão produtivo quanto ontem. Hoje, pra mim, ficou clara uma certa diferença que existe entre os modos de produção e poder aquisitivo brasileiro e americano. Eles são muito mais ligados a essa questão tecnológica do que nós. Até mesmo pela facilidade que têm em conseguir materiais. Soube, por exemplo, que e ETC fornece material gratuito pros teatros de algumas escolas com finalidades de beta teste. Logo, se eles têm acesso a esse tipo de material, então eles também entenderão muito melhor uma série de conceitos relacionados a essas tecnologias que nós não temos por terras tupiniquins. E foi aí que comecei a ficar perdido.
Minha primeira seção foi sobre a filosofia de programação dos consoles. Em outras palavras, seria algo como explicar o porquê que algumas coisas na mesa funcionam da forma como funcionam. Não que não tenha sido útil mas, ao longo do dia, fui percebendo que alguns assuntos simplesmente requeriam um certo conhecimento anterior que eu não tinha.
Acabada essa seção, tivemos o intervalo do almoço em que não comi pra aproveitar e estudar um pouco melhor minha apresentação.E veio a apresentação. Comecei a tremer, gaguejar, suar frio. Eu dominava sim o assunto, mas tinha o lance do formato Pecha Kucha que eu deveria seguir (20 slides de 20 segundos, totalizando uma apresentação de 6'40") e além disso meu inglês já não está tão bom quanto á foi em tempos idos. Eu compreendo boa parte do que escuto, mas ando tendo uma certa dificuldade pra falar. Simples falta de costume, mas nada disso me consolava pra apresentação. A ideia é que eu começasse falando um pouco sobre minha relação com a escola de daí partisse pro Guilherme, Vertigem , estudo de caso do BR-3 e daí, por fim, chegar ao projeto do Hamlet Machina. Pois bem, fiz o melhor que pude, quase desfalecendo de nervoso na frente daquele povo, sem saber exatamente se aquela galera mega profissional e com outra cabeça gostaria do meu trabalho mambembe.
Pra minha total surpresa, acredito realmente que fui bem recebido, ao menos pela maioria. Muitas pessoas vieram falar comigo depois de como aquele assunto era interessante e como eles ficaram fascinados com a ideia de fazer algo tão legal com tão pouco. Admito que fiquei bem felliz com essa recepção, as pessoas foram bastante simpáticas e deram bastante suporte. Principalmente o pessoal da ETC que o tempo todo me apoiou e fez de tudo pra me ajudar (até levar algo pra eu comer quando eu cheguei atrasado na aula e não tive tempo de tomar café!).
Aliás, só como um aparte, é incrível como essa viagem tem sido interessante no que diz respeito às pessoas generosas e prestativas que tenho encontrado pelo caminho. Desde minha saída de São Paulo quando as atendentes da Cia aérea me ajudaram a remarcar o vôo até uma moça aqui do albergue que me cedeu um pouco da comida dela, do cara que chegou de madrugada e me ouviu com a maior paciência do mundo ensaiar minha apresentação até o outro que me arranjou uma toalha quando eu achei que tinha perdido a minha, da menina da ETC que me trouxe comida dentro da sala ao meu parceiro de mesa do primeiro dia que teve a maior paciência em me ensinar uma monte de coisas, todos esse encontros me fizeram acreditar um pouco mais na humanidade.
Então continuamos com mais algumas aulas (sobre MIDI e pixel mapping) e chegamos ao fim das aulas de hoje. Vem a parte legal: piquenique na fábrica da ETC! Na porta do centro de convenções um ônibus nos buscou e levou até lá. Comemos e bebemos do lado de fora, em tendas montadas num gramado em frente à fábrica.
O próprio Fred apareceu em determinado momento vestido de sorveteiro e como eu já tinha terminado meu almoço, resolvi pegar um picolé e levar um papo com meu amigo Fred. Devo dizer que tomei coragem pra levantar o assunto Telem e ele ficou interessado...
Depois disso, entramos na fábrica e nos deparamos, logo na sala inicial, com o que eles chamam de Town Square. Vejam vocês mesmos.
E vejam que legal a tigela de doces deles.
Depois dessa sala inicial, entramos na fábrica propriamente dita. O problema é que essa parte, acredito, exige um post particular deste blog. Muitas fotos, muita informação e já está tarde e amanhã tenho que acordar cedo novamente. Por hora, fica aqui um gostinho.
Câmbio, B.O.
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